O Glossário do Burrinho —
o dicionário de quem não quer ser enganado pelas palavras
A busca (Ctrl/⌘+K) encontra páginas. Este glossário ensina termos — cada um com uma definição de uma frase, um exemplo, o erro comum que a palavra esconde e o caminho para aprofundar. Porque metade das armadilhas do mercado mora num vocabulário desenhado para parecer complexo demais para se questionar.
A
Controlar muito com pouco — o multiplicador que amplia ganho e perda.
Exemplo: Alavancagem de 10× transforma uma queda de 10% numa perda de 100%.
Erro comum: Ver a alavancagem só como acelerador do lucro, esquecendo que ela encurta o caminho até a ruína.
Algo que pode gerar ou preservar valor — uma ação, um título, um imóvel.
Exemplo: Uma ação da bolsa é um ativo; representa um pedaço de uma empresa.
Erro comum: Confundir "ativo" (o que gera renda) com "bem de consumo" (o que só gera despesa).
B
O maior preço que alguém paga (bid) e o menor que alguém aceita vender (ask).
Exemplo: Bid 100, ask 101: você compra a 101 e venderia a 100 — perde o spread na ida e volta.
Erro comum: Achar que compra e vende pelo mesmo preço ("o último negócio").
C
A exigência de depositar mais garantia quando a posição vai contra você.
Exemplo: O preço cai, a corretora "chama" mais margem; sem depositar, a posição é zerada.
Erro comum: Achar que "aguenta o tranco" — a chamada força a venda no pior momento.
Quem está do outro lado do seu negócio — e cujo risco você assume.
Exemplo: Num CFD, a própria corretora costuma ser a contraparte da sua aposta.
Erro comum: Ignorar o risco de contraparte: se ela quebra, seu ganho pode não ser pago.
D
Um contrato cujo valor deriva de outra coisa (uma ação, o dólar, um índice).
Exemplo: Uma opção de compra sobre uma ação é um derivativo — vale conforme a ação anda.
Erro comum: Achar que operar o derivativo é "menos arriscado" que o ativo — em geral é mais, por causa da alavancagem.
A queda do pico ao fundo do seu capital — a dor máxima no caminho.
Exemplo: Uma estratégia pode terminar positiva e ainda ter tido 40% de drawdown no meio.
Erro comum: Olhar só o retorno final e ignorar o drawdown que teria feito você desistir.
E
O ato de usar o direito de uma opção: comprar (call) ou vender (put) pelo strike.
Exemplo: Se a ação fecha acima do strike, a call pode ser exercida com lucro.
Erro comum: Esquecer que a opção comprada vira pó se não for exercida a tempo.
O resultado médio de uma aposta ou estratégia, repetida muitas vezes.
Exemplo: Expectativa negativa significa que, no longo prazo, a média trabalha contra você.
Erro comum: Confundir alta taxa de acerto com expectativa positiva — uma perda rara e enorme quebra tudo.
F
O custo de carregar uma posição financiada ao longo do tempo (o "swap" noturno).
Exemplo: Manter Forex alavancado aberto por dias acumula funding que corrói o resultado.
Erro comum: Ignorar o funding em posições de médio prazo — ele soma silenciosamente.
H
A parcela que a casa retém, em média, a cada rodada de um jogo.
Exemplo: A roleta europeia tem house edge de ~2,7% pelo zero único.
Erro comum: Achar que uma sequência de perdas "vai virar" — as rodadas são independentes.
L
O encerramento (às vezes forçado) de uma posição.
Exemplo: Sem margem suficiente, a corretora liquida a posição automaticamente.
Erro comum: Supor que sempre haverá comprador ao preço da tela — na crise, não há.
M
Reavaliar a posição pelo preço atual, todo dia, mostrando lucro/prejuízo não realizado.
Exemplo: O future é marcado a mercado diariamente: ganhos e perdas caem na conta na hora.
Erro comum: Confundir prejuízo "no papel" com algo irreal — a marcação vira chamada de margem.
A garantia depositada para manter uma posição alavancada aberta.
Exemplo: Vender um contrato futuro exige deixar uma margem parada como caução.
Erro comum: Confundir margem (garantia) com custo total — a perda pode superar a margem.
N
O tamanho total da posição que um contrato controla — não o que você pagou por ele.
Exemplo: Um mini-contrato pode custar poucos reais de margem e controlar dezenas de milhares em nocional.
Erro comum: Medir o risco pelo que se pagou, não pelo nocional — o erro que quebra alavancados.
O
O quanto as probabilidades implícitas de um mercado passam de 100% — a margem da casa.
Exemplo: Se as três odds de um jogo somam 106%, o overround é de 6 pontos.
Erro comum: Não enxergar o overround e achar que odds "justas" existem numa bet.
P
O resultado de uma posição em função do preço do ativo no vencimento.
Exemplo: O payoff de uma trava de alta é uma escada: perde limitado, ganha limitado.
Erro comum: Ler só o "melhor caso" do payoff e ignorar a região de perda.
A chance aproximada embutida numa odd ou num preço: 1 ÷ odd.
Exemplo: Odd 2,00 embute ~50%; odd 4,00 embute ~25%.
Erro comum: Somar as implícitas de um jogo e não perceber que passam de 100% (a margem da casa).
R
Encerrar um contrato que vence e abrir outro mais longo, para manter a posição.
Exemplo: No vencimento, o trader "rola" o future do mês para o próximo.
Erro comum: Rolar sempre uma posição perdedora, adiando o prejuízo em vez de revisá-lo.
S
A diferença entre o preço que você esperava e o que realmente executou.
Exemplo: Você manda a mercado a 100, mas executa a 100,3 — o slippage comeu 0,3.
Erro comum: Testar estratégias sem contar slippage — o backtest fica lindo, o real não.
A diferença entre o bid e o ask — um custo invisível em toda operação.
Exemplo: Spread largo em ativo ilíquido corrói o resultado antes de o preço se mover.
Erro comum: Ignorar o spread ao calcular quanto precisa acertar para empatar.
V
A parte do preço da opção que é só tempo e expectativa — e que derrete até zero.
Exemplo: Uma opção fora do dinheiro é 100% extrínseco: pura esperança com prazo.
Erro comum: Ignorar que o extrínseco derrete todo dia (o Theta), acelerando perto do vencimento.
O quanto uma opção já vale "de verdade" se exercida agora.
Exemplo: Call de strike 40 com ação a 43 tem R$ 3 de valor intrínseco.
Erro comum: Pagar caro por uma opção quase toda feita de tempo (extrínseco), que derrete.
O tamanho típico das oscilações de um preço.
Exemplo: Um ativo que anda 5% ao dia é mais volátil que um que anda 0,5%.
Erro comum: Confundir volatilidade (oscilação) com risco de perda permanente — são coisas diferentes.
A volatilidade que o mercado espera, embutida no preço das opções.
Exemplo: Antes de um evento, a implícita sobe — as opções ficam caras mesmo sem o ativo se mexer.
Erro comum: Comprar opção "porque vai mexer" quando a implícita já precificou o movimento.
← Inteligência Financeira · Conteúdo educacional; não é recomendação. Última revisão: 02/08/2026. 🐴